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:: Seu Zeca - O Guardião da Ilha Brasileira
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:: Morre o Guardião da Ilha Brasileira |
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"Uma fronteira de carne e osso"... Assim foi definida a vida do Seu Zeca na Ilha Brasileira. Ele representou a síntese dos hábitos culturais e dos costumes sociais neste encontro de trê pátrias... Na foto ao lado, parece posar para a posteridade, junto à velha ponte de ferro, ao participar de um projeto ambiental da ONG Atelier Saladero. Em seu rosto marcado pelo tempo, o olhar do seu Zeca revela uma alma maior do que os rios pelos quais já navegou. Neto de inglês com avó índia dedicou-se a cuidar de uma ilha e atraiu para si a atenção de cineastas, ambientalistas, jornalistas, escritores, repórteres, historiadores e viajantes internacionais. |
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Uma pequena casa de madeira -- sem luz elétrica e água encanada --, um pomar, uma horta e uma criação formavam o pequeno paraíso do Guardião da Ilha Brasileira À esquerda, foto da casa onde seu Zeca viveu por 4 décadas: “Depois que fiz um barco de passeio para o Presidente João Goulart, em São Borja, resolvi ficar na ilha onde costumava aportar quando balseiro...” O jornalista Mauro Maciel escreveu: “A vida do Seu Zeca, na ilha, reafirma a geografia do Rio Grande do Sul e mantém viva a história de um pedaço de terra quase esquecido”. |
| Seu Zeca era de Venâncio Aires e tomou gosto pela construção naval ainda pequeno, no estaleiro que seu avô e seu pai tinham nos fundos de casa.
Foi essa profissão que o levou para junto da ilha quando trabalhou para o ex-presidente João Goulart construindo barcos em São Borja. Depois do golpe militar de 1964, seu Zeca, a mulher e três filhos foram para a Ilha Brasileira, em razão da grande movimentação de balsas carregadas de madeira que cruzavam os rios Uruguai e Quarai. Ali viveu por anos, construindo barcos, plantando e pescando. Balseiro e construtor naval, seu Zeca foi, durante muito tempo, o único habitante da Ilha Brasileira. Plantava feijão, batata doce, mandioca e verduras. Fez um pomar que exibia com orgulho aos visitantes. Mas, o mais importante foi o cultivo do amor pela ilha, pelas árvores nativas, pelos animais e pelas aves. Protetor e defensor do Meio Ambiente, impediu brasileiros, uruguaios e argentinos de cortarem árvores nativas. Graças a ele, florescem hoje, pelos 12 km² da ilha, Canfístula, Pessegueiro do Mato, Camboatá, Açoita Cavalo, Angico, Branquilho, Cambui, Chá de Bugre, Chal-Chal, Guabiju, Guajuvira, Ingá e Pitanga. |
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Luis Nachbin, viajante internacional e Professor de Jornalismo da PUC-RJ, passou uma semana na Barra do Quaraí gravando um documentário sobre o cotidiano do seu Zeca e a Ilha Brasileira para o Canal Futura. O documentário foi ao ar, em rede nacional, no dia15 de julho de 2011, um dia após a morte de seu Zeca. |
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O pesquisador Zé Baleeiro, cruzou o Brasil para conhecer o seu Zeca, na Barra do Quaraí |
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O vereador Sérgio Campos, em nome do Movimento Transfronteiriço de ONGs, faz uma homenagem ao seu Zeca, na Ilha Brasileira. |
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“Seu Zeca foi a maior inspiração da ONG Atelier Saladero. A paixão pela Natureza e o conhecimento histórico, são as características principaisque formam a identidade de um cidadão barrense. A ONG uniu Cultura e Meio Ambiente, em seus Estatutos, por causa dele” (Argemiro Rocha) |
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