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Seu Zeca na Ilha Brasileira

:: Morre o Guardião da Ilha Brasileira

Na madrugada da quinta-feira, 14 de julho de 2011, um dia e pouco antes da exibição do programa sobre a vida dele, seu Zeca se despediu. Ele estava com 93 anos. Seu Zeca faleceu na cidade de Uruguaiana, Rio Grande do Sul. Já não andava bem de saúde há alguns meses. O documentário "O Guardião da Ilha", exibido no Canal Futura, e o este vídeo inédito, são a nossa homenagem ao admirável e queridíssimo seu Zeca.

Enviado por Luis Nachbin em 15/07/2011




Seu Zeca "Uma fronteira de carne e osso"... Assim foi definida a vida do Seu Zeca na Ilha Brasileira. Ele representou a síntese dos hábitos culturais e dos costumes sociais neste encontro de trê pátrias... Na foto ao lado, parece posar para a posteridade, junto à velha ponte de ferro, ao participar de um projeto ambiental da ONG Atelier Saladero. Em seu rosto marcado pelo tempo, o olhar do seu Zeca revela uma alma maior do que os rios pelos quais já navegou. Neto de inglês com avó índia dedicou-se a cuidar de uma ilha e atraiu para si a atenção de cineastas, ambientalistas, jornalistas, escritores, repórteres, historiadores e viajantes internacionais.
Seu Zeca Uma pequena casa de madeira -- sem luz elétrica e água encanada --, um pomar, uma horta e uma criação formavam o pequeno paraíso do Guardião da Ilha Brasileira

À esquerda, foto da casa onde seu Zeca viveu por 4 décadas: “Depois que fiz um barco de passeio para o Presidente João Goulart, em São Borja, resolvi ficar na ilha onde costumava aportar quando balseiro...” O jornalista Mauro Maciel escreveu: “A vida do Seu Zeca, na ilha, reafirma a geografia do Rio Grande do Sul e mantém viva a história de um pedaço de terra quase esquecido”.
Seu Zeca era de Venâncio Aires e tomou gosto pela construção naval ainda pequeno, no estaleiro que seu avô e seu pai tinham nos fundos de casa. Foi essa profissão que o levou para junto da ilha quando trabalhou para o ex-presidente João Goulart construindo barcos em São Borja. Depois do golpe militar de 1964, seu Zeca, a mulher e três filhos foram para a Ilha Brasileira, em razão da grande movimentação de balsas carregadas de madeira que cruzavam
os rios Uruguai e Quarai. Ali viveu por anos, construindo barcos, plantando e pescando.
Balseiro e construtor naval, seu Zeca foi, durante muito tempo, o único habitante da Ilha Brasileira. Plantava feijão, batata doce, mandioca e verduras. Fez um pomar que exibia com orgulho aos visitantes. Mas, o mais importante foi o cultivo do amor pela ilha, pelas árvores nativas, pelos animais e pelas aves.
Protetor e defensor do Meio Ambiente, impediu brasileiros, uruguaios e argentinos de cortarem árvores nativas. Graças a ele, florescem hoje, pelos 12 km² da ilha, Canfístula, Pessegueiro do Mato, Camboatá, Açoita Cavalo, Angico, Branquilho, Cambui, Chá de Bugre, Chal-Chal, Guabiju, Guajuvira, Ingá e Pitanga.
Luis Nachbin Luis Nachbin, viajante internacional e Professor de Jornalismo da PUC-RJ, passou uma semana na Barra do Quaraí gravando um documentário sobre o cotidiano do seu Zeca e a Ilha Brasileira para o Canal Futura. O documentário foi ao ar, em rede nacional, no dia15 de julho de 2011, um dia após a morte de seu Zeca.
Zé Baleeiro e seu Zeca O pesquisador Zé Baleeiro, cruzou o Brasil para conhecer o seu Zeca, na Barra do Quaraí
Sérgio Campos e seu Zeca O vereador Sérgio Campos, em nome do Movimento Transfronteiriço de ONGs, faz uma homenagem ao seu Zeca, na Ilha Brasileira.
Seu Zeca e a ONG Atelier Saladero “Seu Zeca foi a maior inspiração da ONG Atelier Saladero. A paixão pela Natureza e o conhecimento histórico, são as características principaisque formam a identidade de um cidadão barrense. A ONG uniu Cultura e Meio Ambiente, em seus Estatutos, por causa dele” (Argemiro Rocha)


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