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Saladero

:: Monumentos históricos da época do Brasil Império

E esses monumentos estão completamente esquecidos... Ao lado, uma antiga parede do Saladero derrubada... Por quem? "Obra do vandalismo", respondem certas autoridades públicas. Mas, perguntamos: onde estão as políticas públicas destindas a promover a consceitização popular sobre o valor do nosso patrimônio cultural? A cada dia alguém assiste, entre apático e inerte, o desabar de um pedaço de nossa história...

Estação Férrea Barra do Quaraí


UM PATRIMÔNIO HISTÓRICO ABANDONADO

A Estação Ferroviária da Barra do Quaraí foi inaugurada em 20 de agosto de 1887, autorizada pelo Governo Imperial do Brasil. A linha férrea Barra do Quaraim-São Borja foi inaugurada pela "The Brazil Great Southern Railway Co. (BGS)" em 1887 no trecho de Uruguaiana a Barra do Quaraim, e em 1888 no trecho Uruguaiana-Itaqui. Somente em 1913 alcançou São Borja.

Estação Férrea Barra do Quaraí

Ao que tudo indica, a iniciativa em construir essa estrada que ligava as cidades da fronteira, tinha, para o Império Brasileiro, mais uma finalidade estratégica que economica - acompanhava a fronteira com a Argentina ao longo do rio Uruguai.

A Estação Férrea da Barra do Quaraí servia à charqueada da "Companhia Saladera Barra do Quaraí", fundada no mesmo ano da abertura da linha. Em Barra do Quaraim a ferrovia se entroncava com a "North Western of Uruguay Railways".

O início da linha estava na cidade de Salto, no Uruguai. Chegou a Cuareim, na fronteira com o Brasil, em abril de 1887, embora ainda não cruzasse o rio Quarai até o Brasil. Posteriormente, outra empresa britânica construiu a ponte e a interconexão com as ferrovias brasileiras.

Estação Férrea da Barra do Quaraí Segundo o testemunho de antigos moradores que viajaram por muitos anos usando o trem nesta região da fronteira, havia as chamadas "paradas" entre Uruguaiana e Barra do Quaraí. A "Parada Guterrez", entre os arroios São Ancieto e Salso, em terras de um certo senhor Guterrez; a "Parada Umbú" , junto ao arroio Matapi e a "Parada Beleza" que servia à estância São Pedro, do espanhol José Maria Beleza. Hoje, ao olharmos para a triste situação em que vai se terminando a pobre Estação, dificilmente fazemos ideia do centro de prosteridade que ela simbolizou outrora.
Estação Férrea da Barra do Quaraí

Em 2007, o acadêmico de História (PUC), Leandro M. Nunes, escreveu no jornal da ONG Atelier Saladerol:

"Temos um grande patrimônio histórico que aos poucos está se degradando. Exemplo: as ruínas do Saladero já foi utilizado como depósito de lixo municipal e agora encontra-se em um descaso deplorável... E a nossa Estação Férrea? No passado foi um grande marco para a população, pois os trens que passaram por ela traziam progresso e trabalho para os habitantes que aqui viviam. Sobram motivos para que este local seja preservado e inserido novamente no contexto social".

Estação Férrea da Barra do Quaraí

Um prédio de riqueza cultural imensa arruinado dessa maneira. Se observarmos bem, não temos nenhuma política de preservação dentro dos órgãos municipais. Não temos nenhuma lei que venha corroborar uma luta de preservação do patrimônio público e muito menos uma proposta concreta dos órgãos municipais para resgatar a memória do município".

A arquiteta Maria Dolores Fort Marquez (UNISINOS) reforça o comentário do acadêmico com o seu parecer técnico:

"Considerada pelo aspecto de patrimônio histórico cultural, a importância da velha Estação de trem da Barra do Quaraí reside no fato de estar no ponto terminal oeste da viação férrea nacional e ser um dos primeiros correios e telégrafos instalados no Brasil.

"A localização desse majestoso prédio, no início do perímetro urbano, ao lado direito da rodovia, cria um visual privilegiado, produzindo, entretanto, uma sensação de tristeza pelo cruel abandono em que se encontra".

Estação Férrea da Barra do Quaraí "O estilo arquitetônico do prédio corresponde ao eclético riograndense, movimento modernista nacional, com forte influência das edificações inglesas do fim do século XVIII e início do século XIX. A fachada com frisos que marcam a parte superior e pilares salientes são elementos característicos dessa época. É composto por planta retangular, dividida em duas partes: uma área fechada que abrigava escritórios, setor de correios, telégrafo e depósito de mercadorias. A com cobertura, exercia a função de plataforma de embarque e desembarque".
Estação Férrea da Barra do Quaraí "A fundação é com cinta de amarração e tijolos maciços, tramados duplamente, dando resistência e estanqueidade ao conjunto. O elemento autoportante é o tijolo acentado em barro, material utilizado para dar liga às tramas duplas altamente resistentes, motivo pelo qual as paredes resistem a tanto descaso, quase intactas, apesar da falta de tratamento adequado".
Estação Férrea da Barra do Quaraí

"Portas e janelas executadas em madeira de lei, formando ângulos retos nas extremidades, com marcos de madeira igualemente resistentes às pragas e cupíns, mas devido ao descuido e negligência, degradaram-se rapidamente... A cobertura é composta de longarinas, apresenta têrças e alongamentos feitas com cedor, madeira nobre altamente resistente à intempéries, pragas e fungos".

Estação Férrea da Barra do Quaraí

"Uma visita ao prédio basta para constatar que foi retirada a pavimentação original, a madeira corrida das salas, as aberturas, modificações recentes estão descaracterizando o edifício...

"A Antiga Estação Férrea da Barra do Quaraí é uma memória histórica abandonada, um prédio público ao "Deus dará", um ponto turístico relegado ao descrédito, um cartão postal de imenso valor cultural e local sem o mínimo aproveitamento.

"Hoje, a majestosa Estação não passa de desfigurado casarão, destinado a breve desaparecimento, em razão do lamentável desinteresse da autoridades públicas. Isto vai arruinando ainda mais a já degradada memória histórica municipal".

Morador da Estação Nelson Guimarães Sr. Nelsono Guimarães, vendedor ambulante e morador no prédio da Estação: "Sou natural da Barra, nascido e criado aqui. Meu pai foi carroceiro, nos bons tempos desta Estação Férrea. Eu era guri e ajudava ele. Tinha um poço de balde aqui. Agora está "atuiado" de terra, me dói o coração de ver nesse estado. Muitas vezes, na minha infância, eu bebi água dali, uma água doce e clara... Naquela ponta da Estação, era o depósito de mercadorias do comércio local que o trem trazia. E havia três carroceiros que transportavam essas mercadorias para os armazéns. Hoje, tudo isso acabou. Esse prédio, nesse estado, é uma judiaria. Não sei como nossos governantes deixam isso assim, atirado..."
Estação Férrea da Barra do Quaraí "Essa Estação Férrea é a unica coisa que nos resta da lembrança do passado... eu acho muito bonito uma cidade saber conservar as lembranças antigas, como essa aqui... tão linda, na entrada da nossa cidade. O que não pode é deixar debulhar como debulhou o Saladero, porque aqui tudo está por terra..." (Jornal Saladero, maio de 2007).

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